A prioridade era eliminar o corpo estranho. Passaram álcool. Jogaram desinfetante. Cutucaram. Deram chutes, cabeçadas. Pisões, com toda força, retorcendo o pé, como quem dança twist com raiva. Rasparam com gilete. Lixaram com uma lima. Tentaram esmagar com uma marreta. Deixaram, do décimo andar, cair uma bigorna em cima. Fizeram furos em toda a superfície. Atiraram pedras, tijolos. Deram machadadas. Defumaram. Desidrataram. Derramaram ácido sulfúrico. Atropelaram. Passaram por cima, deram ré, passaram de novo. Com um rolo compressor. Contrataram atiradores de elite. Soltaram cães hidrofóbicos. Injetaram vírus. Dispararam lasers. Tacaram gasolina e, em seguida, fogo. Arrumaram um lança-chamas. Incineraram tudo o que estava em volta. Usaram dinamite. Explodiram uma bomba. De Napalm.
Em vão. Frustrados, desistiram. O corpo estranho continuou lá, intacto. E, nem assim, tiveram a idéia de simplesmente resgatá-lo.
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