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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Aki Jaz Ortografia

É sabido que muitos usuários da Internet (sou contra a palavra internauta para designar quem usa a Internet, acho idiota) modificaram e continuam modificando a grafia correta de muitas palavras. Particularmente acho isso mais idiota do que usar a palavra internauta. Veja bem, eu não me refiro aqui às abreviações. Mas cada vez que vejo a letra k substituindo um "qu" sinto vontade de dar uma bofetada na pessoa que fez a famigerada substituição. E qual é a explicação para isso? Nenhuma. Isso mesmo, nenhuma. Você que está lendo pode ter pensado "ah, mas isso facilita, as palavras ficam mais curtas, logo, escreve-se mais rápido, comunica-se mais" ou qualquer outra coisa, mas a verdade não é bem assim.

As pessoas que fazem uso do internetês (também acho essa palavra idiota, mas vou utilizá-la muitas vezes) foram alfabetizadas como todo mundo, e ninguém aprende a escrever assim. Logo, a pessoa acostuma-se a escrever de tal forma, fazendo uso da grafia correta das palavras do léxico. Eu sei o que você está pensando, tem gente que escreve tudo errado, mesmo sem substituições mongolóides, e é verdade. Mas deixemos essas pessoas fora do tema proposto, certo? Voltando ao assunto, todos aprendemos a escrever as palavras como elas realmente devem ser escritas, e gastamos tempo e esforço para conseguirmos isso. Aprendemos que, mesmo tendo som de "z", a grafia correta é "casa", que c+e ou c+i não têm som de "que" ou "qui", que todo mundo fala "múinto", mas que escreve-se "muito". Tudo isso é apenas parte das milhares de regras e convenções que nós aprendemos desde tão pequenos, e fomos, com o passar do tempo, acostumando-nos a elas, aprendendo a escrever corretamente (ou não. Ah, deixa pra lá, combinamos de esquecer isso).

Pois bem, perceba agora meu ponto: a adoção do internetês como forma de escrita on-line primordial é extremamente trabalhosa. É uma nova forma de escrever com a qual você deve acostumar-se. Eu imagino as pessoas que escrevem dessa forma quando decidiram começar... Não vou nem entrar no mérito do motivo imbecil pelo qual alguém resolve começar a escrever assim, mas nevertheless, a pessoa se dá o trabalho de se policiar para conseguir. Aposto que a maioria, no início, escreve uma frase e fica usando o backspace muitas vezes para "consertar" o internetês. Escrevem "aqui", mas não é assim, então elas voltam, apagam e substituem por "aki". Agora você entendeu o que eu quis dizer, se já não tinha entendido antes. Isso, em vez de facilitar, dá um trabalho enorme. Eu não lembro direito da minha época de alfabetização, mas imagino que tenha sido difícil receber tantas informações ao mesmo tempo enquanto aprendia algo novo, mas, quando eu escrevo algo em internetês, zoando alguém ou alguma coisa, eu acho difícil. Eu tenho que prestar atenção à grafia para a frase sair de forma retardada. Fico voltando, tirando o "qu" e colocando "k" no lugar, mudando "ão" para "aum". É espantoso que tanta gente escreva assim.

Além de toda a dificuldade para se acostumar a usar o internetês, ainda há o problema de mantê-lo separado do português normal. Afinal, ninguém pode entregar um trabalho na faculdade escrito em internetês. Então a pessoa tem o trabalho de aprender uma nova forma de escrever, manter a antiga, e não se confundir ao fazer uso da ortografia correta, porque dá um trabalhão revisar tudo assim, até porque a pessoa já se acostumou e acaba não vendo o internetês perdido no meio do non-internetês.

Mas tem uma coisa que me irrita mais do que o internetês. É o internetês aleatório. Por internetês aleatório eu quero dizer o seguinte: às vezes a grafia escolhida é "aqui", e outras vezes "aki". Isso deveria acontecer, creio eu, no período de transição da pessoa. Quando ela inicia o uso do internetês. Porém, volta e meia vejo pessoas que conheço fazendo uso do internetês aleatório quando claramente elas não estão na fase de transição, isto é, sua grafia primordial é a normal, praticamente tudo que elas escrevem é com a grafia correta do português, mas lançam, aleatoriamente, um "naum" aqui, um "aki" acolá etc.

Por quê? POR QUÊ? Eu sinceramente não consigo compreender. Aliás, não compreendo nem mesmo o internetês regular. O que leva alguém a adotá-lo? Será que é cool? Definitivamente não é cool, mas será que algumas pessoas são realmente tão sem noção que acham legal? Pelo menos o internetês regular é uma opção que foi escolhida e seguida. Eu consigo, de alguma forma demente, respeitar isso, pois há um mínimo de coerência. Já o aleatório é impossível de respeitar, sendo totalmente errático e despropositado.

Faço aqui, então, meu apelo: se ao ler esse texto você identificou que faz uso do internetês aleatório, policie-se. Seja para escrever corretamente ou para adotar o internetês regular. Escolha um caminho e siga-o. Mas, de preferência, que esse caminho seja o de só tocar na tecla da letra k para escrever um nome próprio ou em outros idiomas.

3 comentários:

Unknown disse...

Me senti ofendido com este texto, resposta em breve

Rodrigo disse...

Detesto quando escrevem naum em vez de nao (viu, dá pra entender mesmo sem o til). Até tolero e às vezes uso as abreviações(vc, qd, td), mas "aki" é demais.

Maria Rita Angeiras disse...

O internetês, como você mesmo diz, é feio e dói em todo mundo que tem o mínimo de amor à língua portuguesa, como eu. Mas outro dia vi uma explicação interessante:

O objetivo da língua é comunicar. E, sendo assim, ela sempre se adapta às necessidades do homem, independentemente do período histórico. Como a falta de tempo, a rapidez das informacões e a instantaneidade das mensagens são a base da nossa geração, podemos dizer que a língua simplesmente se adaptou a isso. Feio ou bonito, é uma solução que cumpre o objetivo inicial. Diminuir e, consequentemente, distorcer as palavras, é apenas uma forma de viabilizar a comunicação e ganhar tempo.


O que você acha?